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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

UM JOVEM PRÍNCIPE CRISTÃO - PARTE II

Dom Pedro Henrique, Dom Luis, Dona Maria Pia e Dona Pia Maria
TESTEMUNHO DO SANGUE

A vida do jovem transcorria num meio relativamente restrito á família. Poucas viagens. A primeira ao Brasil, por ocasião do Centenário da Independência, em 1922. Viagem marcada pela morte do avô a bordo do 'Massilia', quando o navio entrava em águas brasileiras.
Outras, com seu tio, o infante Carlos de Bourbon-Sicília, à Argélia e à Tunísia. Delas fez um relatório de notas concretas, com fatos, isento de impressões pessoais.
Brincava com seus irmãos e primos, preferia os jogos de estratégia e inteligência, nos quais exigia absoluto silêncio. Mas, explodia com as outras crianças num ruidoso esconde-esconde que ia do sótão ao porão, que parecia um tufão a varrer as escadas, estremecendo os lustres do teto. Perseguiam-se vertiginosamente, até pelos telhados, de tal forma que os vizinhos vinham preocupados avisar à família imperial que 'as crianças acabariam se matando.'
Também fazia um curioso trenó de madeira, retirada da mesa, que descia a montanha vertiginosa da escadaria do salão de festas.
Gostava de futebol, passeios de automóvel pela França, andar de bicicleta por Provença, nadar e praticar regatas na costa de Cannes.
Sua rotina diária: levantava-se rapidamente, três passos, um beijo no crucifixo. pontualidade na hora da aula, com as lições estudadas. Repetia com firmeza os textos de Virgílio, ou de Corneille, ou então um texto litúrgico, ao qual reservava especial aplicação.
Digno e polido para com os empregados, nunca abusava de seus serviços. "Sempre servia antes de mandar." - Lembrava um deles.
Desde criança, sempre preocupado em não incomodar os outros, escondia seus sofrimentos. Seguia o lema de seu pai: "Nunca se queixar de nada."
Uma camareira comentava sobre ele: Aquele menino não tinha amor algum por si mesmo. Para ele, o próprio corpo não existia."
Nunca lhe agradou ver espetáculos imodestos, nunca sorrira maliciosamente. Certa vez, folheando um revista de ilustrações ousadas, jogou-a longe e disse: "Que estupidez, francamente." 
Não era, contudo, um insensível à reações exteriores, amava, mas com pureza.
Certa feita, no Castelo d'Eu, ele brincava com uma menina brasileira. Parou, por um momento, a observá-la e disse com um amável sorriso: "Que bonitos olhos negros você tem." Outra vez, no Brasil, com outra menina, passeando no jardim, ela parou diante de uma roseira, e ele veio com um galanteio: "Nenhuma delas é tão bonita quanto você, Senhorita!"
Coitado daquele que viesse a recordar esses episódios diante do herói, receberia uma resposta bem dada e desconcertante.
D. Luís, com sua simplicidade e simpatia, conquistou o coração dos brasileiros, ainda saudosos dos tempos de D. Pedro II.
Era patriota, e sentia orgulho da raça brasileira. De volta à França, seu patriotismo não desgostava os fiéis da Casa de França. Recebera os germens de amor à pátria brasileira no exílio, por parte da Imperatriz de Direito, e por parte do conde d'Eu que contava ardentemente as vitórias de Peribebuí e Campo Grande durante a guerra contra o Paraguai.
No curso de educação, os tropeços eram inevitáveis, mas ele reagia sempre:um maus caráter, eu sei, mas vou me corrigir..."
Certa vez, o autor deste livro o repreendeu por algum excesso de vivacidade. pouco depois ele batia sem sua porta, fortemente, chorando: "Quero uma punição, eu mereço."
Sua consciência delicada, jamais chegava aos escrúpulos. Sempre pronto a abnegar-se em favor dos outros, incluso do Fox Terrier, que havia corrigido com os dentes a beleza tão odiada por ele de seu nariz bourbônico. Sangrando, pediu à mãe que o poupasse, pois o incidente era culpa sua. Saiu, contente desta história, já que nada lhe desagradava mais que ser bonito.
Demonstrava uma grande independência de espírito. Certa feita, num serão familiar, se lia e estudava as narrativas dos trois glorieuses e do advento ao trono do ramo mais novo dos Bourbons. Ele, timidamente, concentrado e pensativo disse: "Talvez, Luís Felipe fosse... um pouco usurpador."
Os Orleans e Bourbons haviam lhe legado a aptidão e o gosto pela ação. Mas sua alma se extasiava em demasiada paz e tranqüilidade, contemplação e gosto por admirar a beleza das catedrais européias. A de Chartes, é a mais bela de todas."
A graça da Fé, transportava sua alma para junto do coro de gerações dos fiéis, invisíveis, que povoam aquelas naves, onde (...)ele não pensava, mas tinha, no entanto, colóquios com a Virgem. Sua alma se abria numa contemplação sem palavras, numa contemplação de pura Fé. Da Belle Verrière. Maria se inclinava para você num convite sorridente: "Isto aqui é belo, mas o Céu, onde reino com meu Filho, é mais belo ainda, vem, não demores! A terra não é para os puros e sinceros como tu."
Notre Dame du Port foi a última que admirou.
Amava o Brasil e a França, sempre dizia: "Depois do Brasil, nenhuma pátria é mais bela que a França!"

O MAS SAINT LOUIS

Como ele amava o Mas Saint Louis. Chamava-o Paraíso de Mandelieu!
A moradia não era vasta, mas aconchegante e suficiente para a família. Parva sed apta, construída em estilo provençal.
Ao pé do Esterel, entre pinheiros e ciprestes, construído de modo que se podia ver das janelas os jardins e a baía, escondendo-se somente a enseada de Théole pelo Monte Saint Pierre.
A leste, os Alpes, cujas neves até abril se confundem com as nuvens.
Dom Luís gostava de admirar os barcos que visitavam a baía desde sua janela do quarto do Mas Saint Louis. Quando não, e isto mais que admirar, dar uma volta no Crévard, Vvltando com o barco carregado de linguados, pescadas, ou rodovalhos. E se este virava, nadava de dar inveja aos habitantes do mar. Às vezes reservava as lanchas de Luis Fanciuli, e quando não ia com a família para as sombras dos pinheiros comer bouillabaisse(sopa de frutos do mar).
Do quarto do ângulo esquerdo do primeiro andar, se podia ver sua silhueta acolhedora sorrindo para este amigo, quando o visitava no Mas.
Porém, à memória do visitante veio uma queixa do rapaz a sua mãe quando o médico lhe aconselhou a ir para as montanhas respirar ar fresco: Mamãe, fiquemos em Mandelieu! Se você me levar, não o verei mais." Ele não gostava de dramatizar nada, e disse isso com extrema sinceridade.
Fisicamente, era bem saudável, seu aperto de mão esmagava as falanges de quem o cumprimentava, os joelhos dominava a montaria, e os tornozelos se moviam para um potente chute de futebol (afinal, era príncipe do Brasil ou não?). Mas o que dizer de reações violentas, bater de portas ferir a cabeça contra a parede do quarto? Era o primeiro tempo ao qual sucedia, imediatamente um segundo, o do controle vitorioso, sorridente e conciliador. A tempestade seguida de bonança.
Desapegado de todas coisas que comumente agradam à juventude. Guardava em seu bolso, a esmola do capelão, e uma cama de vento lhe bastava se pendesse desde a cabeceira um crucifixo. Quiseram dar a seu quarto uma melhor decoração: "Assim como está basta!" - Lhes respondeu. Sua mãe quis trocar seu pequeno Peugeot 201 por um veículo mais possante: "O meu está bom!"
Com os parentes, deferência afetuosa, disposição espontânea, e sincera em prestar serviços e ceder o melhor lugar.
Não podemos deixar de citar um episódio tal qual contaram a Monsenhor René Delair.
Quando ainda menino, viajava com a família de trem e uma senhora proferiu um elogio: "Que menino bonito!"
Ele socou o nariz com a testa crispada de raiva e repetia: "É chato ser bonito, isso faz você me olhar."

BEM NA MODA

Desde o levantar-se, quando beijava seu crucifixo de madeira. (Confesso que passei a fazer isso quando li o livro), Até se deitar, quando repetia o gesto, piedoso, D. Luís Gastão mostrava-se um perfeito filho do dever.
Que adolescente austero! - dirão. Sim, era a disciplina de vida que demonstrava profundas convicções cristãs. Mas, D. Luís Gastão nunca foi um santo triste e introvertido (Dizíamos no seminário de La Reja, que um santo triste é um triste santo). Encontrava o objetivo principal de seu músculos na atividade física. Cavaleiro consumado, seu porte sobre o animal era de correção acadêmica. "Eis o duque de Aumale." - exclamava o professor que conhecera seu tio-bisavô.
A refeição em família ainda não tinha acabado e ele já vivia com o irmão, a partida de futebol planejada.
Estava perfeitamente a par dos acontecimentos esportivos, dos quais nenhuma minúcia escapava. Fazia cronogramas com letra serrada e regular, dum campeonato esportivo, bem na moda. Era um ansioso torcedor da equipe francesa. (Nota de rodapé: eram raras as equipes brasileiras na época).
Adversário temível, mas cortês, ele logo se colocou no primeiro plano nos campeonatos de Cannes. Até hoje os amadores lembram-se dele (...) nos campos de tênis de Beau Site e de Hespérides. Auto, moto, regatas. (...) Empreendia audácias nas águas caprichosas do lago de Lucerna na Suíça, com seus primos arquiduques da Áustria. chegou a completar em quatro horas, a distância de Lucerna a Fuellen (36 KM), a remo com seus primos supracitados. E como ele estava orgulhoso disso.
Como todos os enérgicos ele não amava a vida por ela em si, mas por seu emprego interessante e generoso.Sua timidez natural, dava lugar, dia a dia, e cada vez mais, àquela alegria que se inspirava em todas as circunstâncias.
  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

UM JOVEM PRÍNCIPE CRISTÃO - PARTE I

UM JOVEM PRÍNCIPE CRISTÃO, DOM LUÍS GASTÃO DO BRASIL
(1911-1930)
Coletânea de textos do livro de Monsenhor René Delair
 

Da direita para esquerda: Dona Pia Maria, Dom Pedro Henrique e nosso biografado, D. Luis Gastão do Brasil

Apresentação

Tradução ainda inédita no Brasil, principia por uma carta de reivindicação de S.A.I. Dona Maria Pia de Bourboun-Sicília reclamando do modo de pintar seu filho usado pelo biógrafo. Diz ela ao Professor Sebastião Pagano, que falta ressaltar ''de maneira mais categórica a energia de caráter tão viril, de Luís Gastão, as suas idéias tão largas e a sua inteligência. Erro comum dos biógrafos que tentam ressaltar a santidade do biografado. Mas, digo eu, que a santidade é justamente o oposto da passividade efeminada com que sonha o homem moderno (cada vez menos homem e mais moderno), é a virilidade, VIRILITER AGITE, como diz o Deuteronômio (31,6). A santidade é a vivência corajosa das leis de Deus e a crença viril em sua existência e em sua revelação, capaz de levar homens ao meio do deserto, ao fundo das covas de leões, à grutas solitárias, a viver a pureza e a castidade, a impor a sua nobreza de espírito perante o inimigo covarde que te ameaça de morte com um fuzil. A santidade é viver tudo o que a civilização moderna quer deitar abaixo, "tudo quanto é belo, e nobre, e heróico neste mundo. Mas não duvido que os bons triunfem e que vejamos melhores dias, voltando as nações às antigas tradições que fizeram a sua grandeza e felicidade." (Carta de S.A.I. D. Maria Pia a Sebastião Pagano)
Embasado nisso, extraio do livro de Monsenhor René Delair, aquilo que cri mais relevante e ressaltador deste ideal de santidade verdadeira. 

Introdução
Sobre a relevância da obra:
"Se acharmos que a vida de um jovem, que transcorreu num estado de graça e de inocência, (...), não é magnificamente instrutiva e edificante para o crente, a quem interessa os contatos entre a alma e Deus, (...) - seria pretender que os esboços nos quais se exercitou e se adestrou um mestre da arte, um Rafael, por exemplo, nada ensinem aos que querem compreender a ascensão do gênio em direção ao mais perfeito."
E referindo-se a Dom Luís expressamente, diz Monsenhor Delair:
"Augusta e inspirada voz à qual respondem as dos que com ele conviveram, como um coro de tragédia antiga: 'Ele era bom demais para a terra, Deus teve pressa de tê-lo junto de si.'   
 
UM TÍPICO BOURBON

Nasceu em Cannes, 19 de fevereiro de 1911, na Vila Maria Teresa, modesto palácio de exílio dos Condes de Caserta, seus avós maternos.
Era o segundo filho do matrimônio de D. Luís, o Príncipe Perfeito, com D. Maria Pia. O primeiro filho, nascido à ano e meio, Dom Henrique, e dois anos mais tarde nasceria uma irmã aos dois príncipes, a princesa Pia Maria.
Inclinado sobre o berço, o pai correu para anunciar aos avós, fora do quarto, o nascimento de "um típico Bourbon..."
Os que contemplavam o principezinho adormecido e suas mantas de brasões imperiais e reais, jamais poderiam pensar, sem emoção, no número de raças ilustres que aquela frágil criaturinha representava.
Por sua avó paterna, a Condessa D'Eu, Princesa Isabel do Brasil, ele tinha por bisavó a Dom Pedro II, Imperador do Brasil, e descendia dos Reis de Portugal.
Por meio da Imperatriz Dona Leopoldina, mãe de Dom Pedro II, filha do Imperador Francisco II, descendia dos imperadores alemães.
E nas altas ascendências genealógicas, alcançava a descendência dos impérios austríacos, a descendência capetíngia dos Valois.
Pelos condes de Caserta, a descendência dos Reis de Nápoles. Por seus antepassados, as casas reais da Espanha, os Bourbon da França, São Luiz IX. E pelo Conde d'Eu, de Luiz XII, por segunda linha.
Entretanto, aquele menino que encontrava em cada página de história os feitos grandiosos de seus antepassados, jamais demonstraria auto-complacência e orgulho.
Nada o desgostava mais que uma alusão as seus nascimento: "Ora, não gosto que me falem disso".
O pequeno sempre preferia a reserva e a simplicidade, estas o devem ter ensinado a viver tão modestamente, consciente de que a verdadeira nobreza se impõe por si mesma.
A primeira infância se dividiu em estadas no Castelo d'Eu, Vila Maria Teresa, Cannes, e no Solar de Boulogne-sur-Seine, onde residia por intervalos e acolhia com dignidade tão afável a seus convivas a Imperatriz Exilada.
Dom Luis Gastão, onde quer que estivesse, se acomodava a tudo, se mostrava comunicativo, espontâneo e recebia da melhor maneira possível, os companheiros de brincadeira inesperados. Contudo, sempre preferia a solidão. Parecia não se prender a nada.
Tinha gosto pela observação até a abstração do sofrimento, certo dia com um caranguejo que lhe pinçava o dedo, considerou interessado: "Um morde, e o outro sangra".
Sempre foi resignado e nunca foi comodista preocupado consigo, dizia sempre: 'Isto Basta."
O pai, D. Luis, Príncipe Imperial do Brasil, cuidava pessoalmente da educação profana de seus filhos, com método próprio, deixando as lições de catecismo para a mãe.
Jamais admitia rigorismo extremos com as crianças, nem tampouco, que se infundisse nelas algum medo.  
 Por serem descendentes (bisnetos) de Luís Felipe, as leis da Terceira República os impedia de lutar pela França na I Guerra Guerra Mundial. Contudo, D. Luis, Príncipe Imperial não se valeu da escusa, ofereceu-se ao presidente Poincaré para lutar no exército francês. Recusada a oferta, ofereceu-se ao Príncipe da Bélgica, aliada da frança, que era seu parente por ascendência de Luís Felipe. S. M. também declinou o pedido. Uniu-se ao exército inglês de Jorge V, como capitão do Estado-Maior do general Douglas-Haig. E assim, pôde, no exército inglês, lutar pela França, sua pátria por sangue paterno e por adoção forçada.
O pequeno Dom Luís, era ainda muito pequeno, mas o Bon Papa, Conde d'Eu, não perdeu a oportunidade de deixar, na jovem mente, uma lembrança do heroísmo paterno. Mostrou ao menino o uniforme e a espada do pai: "Olhe, veja isso! Mais tarde, será preciso partir, também, para a guerra e lutar, como o papai, para defender a França."
D. Luís, o Príncipe Imperial, sucumbiu a um forte resfriado no fronte de batalha, e voltou para a casa, onde pôde morrer após a recepção dos sacramentos e a vista dos filhos, dando um último brado: "Eu Creio."

Este fim Cristão do pai, ficaria em sua memória para sempre. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

GABRIEL GARCIA MORENO - IV - FINAL



CONSAGRAÇÃO DA REPÚBLICA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Quadro do Sagrado Coração, com o qual Dom José Inácio C. y Barba e Gabriel García Moreno fizeram a consagração do Equador
  
          Em 1.874 o Concílio Nacional de Quito lavrou um decreto que mandava consagrar o Equador ao Sagrado Coração de Jesus, por direta inspiração de García Moreno. Este, por sua vez, apresentou ao Congresso Nacional uma moção, pedindo que o Estado se unisse à Igreja nesse ato solene. Esta moção foi votada por unanimidade, tal era o espírito dos senadores e deputados durante o seu governo. Assim, marcou-se a data da Consagração Oficial da República ao Sagrado Coração de Jesus. Na festa do Sagrado Coração de Jesus, em julho de 1.874, a cerimônia teve lugar em todas as igrejas da República. Em Quito a cerimônia foi imponente. O arcebispo, Dom José Inácio Checa y Barba, grande amigo do presidente, pronunciou a fórmula de consagração diante do quadro do Sagrado Coração em nome da Igreja Católica e da Hierarquia Eclesiástica do Equador. Em seguida, Gabriel García Moreno, cercado de todas as autoridades do Governo Equatoriano a pronunciou em nome da Nação. Tal foi o entusiasmo produzido por esta grande manifestação de Fé dos equatorianos, que diversos membros do Congresso pensaram em erigir uma igreja ao Sagrado Coração, sendo, porém, este projeto adiado por razões econômicas até a presidência de Luís Cordero, em 1.884.
           Sem dúvida muitos viram naquele momento o cumprir da profecia de Nossa Senhora do Bom Sucesso à Irmã Mariana de Jesus em 1.594: “N o século XIX haverá um presidente verdadeiramente cristão, varão de caráter(...). Ele consagrará a República ao Divino Coração de meu Filho Santíssimo e esta consagração sustentará a Religião Católica nos anos posteriores, os quais serão aziagos para a Igreja.”
           A Consagração do Equador ao Sagrado Coração de Jesus, somada à proibição das sociedades secretas, ocorrido com a nova constituição, valeu à García Moreno e ao seu amigo, o arcebispo de Quito, a condenação ao punhal traiçoeiro da Maçonaria, e consagração de ambos como apóstolos de um ideal. A própria profecia de Nossa Senhora do Bom Sucesso já rezava que este presidente verdadeiramente cristão que haveria no século XIX, seria alguém “(...) a quem Deus Nosso Senhor dará a palma do martírio na praça onde está este meu convento. (...)” Era evidente que a Virgem Santíssima falava de Gabriel García Moreno e que ele, juntamente com Dom José Inácio, seriam vítimas da Maçonaria.
  
TERCEIRA ELEIÇÃO COMO PRESIDENTE - MARTÍRIO
 
          Em 1.873 o Equador gozava de uma paz tão grande que Gabriel García Moreno, em um gesto de magnanimidade, concedeu anistia a todos os exilados políticos. Não é difícil de imaginar, que alguns, senão muitos destes, ao invés de ter gratidão para com o presidente, preferiram confabular contra ele juntamente da Maçonaria. Esse ódio só cresceu após a Consagração da Pátria ao Coração Divino e García Moreno foi jurado de morte pelas lojas maçônicas.
           Em maio de 1.875, Gabriel García Moreno foi eleito presidente da República pela terceira vez. Os exilados anistiados, juntaram-se formalmente com a Maçonaria e começaram a vomitar toda a sorte de ataque contra o presidente da nação. Os ataques foram mais ferozes do que nunca.
           Sabendo de todos os perigos que corria, García Moreno aceitou a eleição e, antes de assumir mais um mandato, pediu auxílio espiritual e conforto ao Vigário de Cristo, Pio IX: “Eu desejo receber vossa benção antes daquele dia, para que tenha a força e a luz de que tanto preciso para conseguir até o fim ser um fiel filho de Nosso Redentor e um leal, e obediente servo de Seu Infalível Vigário. Agora que as lojas maçônicas dos países vizinhos, instigadas pelos alemães, estão a vomitar contra mim toda a sorte de insultos atrozes e horríveis calúnias, agora que as lojas maçônicas estão secretamente a planejar o meu assassinato, eu tenho mais do que nunca a necessidade da proteção divina para que possa viver, e morrer em defesa de nossa Santa Religião e da amada República que uma vez mais sou chamado a governar.”
           Os amigos do presidente tentaram-no convencer a se precaver por causa das conspirações urdidas pelos inimigos da Igreja e da Pátria, mas ele simplesmente respondeu-lhes que só temia a Deus, e só a Deus.
           Em 2 agosto de 1.875, avisaram-lhe que Faustino Rayo estava entre os conjurados que maquinavam o seu assassinato. Gabriel García Moreno afirmou que Rayo estava acima de qualquer suspeita, porque era católico. O santo presidente ignorava que as más companhias podem fazer de um homem honrado e católico um malfeitor, e assassino e assim sucedeu. Faustino Rayo era colombiano naturalizado equatoriano, a quem García Moreno havia perdoado naquele incidente das tropas de Riobamba com o Comandante Cavero, fazendo dele chefe militar e ordenando-lhe muitos assuntos de suma importância. Tal era a confiança que García Moreno tinha em Rayo, que várias vezes faziam rondas noturnas durante o tempo em que García Moreno chefiava exércitos para lutar contra Urbina e Robles. No entanto, desprezando a amizade do presidente, Rayo aceitou uma pequena soma de dinheiro dada pela Maçonaria em troca da vida do amigo.
           No dia da Transfiguração, 6 de Agosto do ano de 1.875, Gabriel García Moreno assistiu à Santa Missa e comungou. Não sabia, não o podia saber, mas era a última vez que assistia à Santa Missa e comungava. Em breve, veria a Deus e não teria mais necessidade dos Sacramentos.

           Fora da Igreja, Faustino Rayo o esperava junto com outros conjurados. Mas a grande multidão que estava fora da Catedral impediu-os de perpetrar o plano diabólico.
           Uma hora da tarde, Gabriel García Moreno desceu do Palácio do Governo para visitar o Santíssimo Sacramento na catedral, conforme era o seu costume. Em breve, moraria na casa do Senhor a quem visitava todas as tardes. Fora da catedral, os conjurados ficaram impacientes pela demora. Faustino, então, entrou e chamou o presidente sob o pretexto de ter assuntos urgentes no palácio.
           Subindo as escadarias do palácio, recebeu de Rayo um golpe de facão no ombro. Gabriel García Moreno tentou alcançar o revólver para se defender, mas foi atingido na cabeça e logo chegaram os outros sicários que atiraram nele. Gravemente ferido, o presidente tentou-se dirigir para o lugar de onde partiam os tiros, mas Rayo o perseguiu e deu-lhe novo golpe no braço direito. Novos tiros dos conjurados e o santo presidente tombou desde o peristilo do palácio, a uma altura de cerca de quatro a cinco metros. Faustino Rayo, possuído de uma ferocidade sem par, desceu as escadas e desferiu os mais tremendos golpes no já moribundo presidente da Nação. 
           – Morre algoz da liberdade! – gritou o traidor.
           – DEUS NÃO MORRE! – exclamou o mártir num supremo esforço.
      Os soldados do palácio acorreram e Rayo foi morto ali mesmo, enquanto o presidente foi transportado à catedral, e foram perseguidos os conjurados.
   O pároco deu-lhe a Absolvição Sacramental e persuadiu-lhe de que perdoe os seus assassinos. “Já o fiz, padre!” Disse o grande estadist a e entregou a sua alma à Deus.
      O seu corpo havia recebido catorze golpes de facão e seis projéteis de revólver. O enterro assumiu proporções grandiosas. A mensagem que leria no Congresso naquele dia foi lida pelo Ministro do Interior, ouvida por todos com recolhimento.
  
 O MARTÍRIO DE DOM JOSÉ IGNÁCIO

           Quando celebrava os ofícios de Sexta-Feira Santa de 1.877, ao beber do Cálice de vinho para a purificação, Dom José Inácio Checa y Barba, Arcebispo de Quito, grande amigo de Gabriel García Moreno, exclamou: “Meus filhos, fui envenenado!” Recebeu a Absolvição Sacramental de um sacerdote e expirou. Haviam posto estricnina no seu cálice.

HOMENAGENS PÓSTUMAS
          
Corpo de García Moreno, embalsamado para funerais em traje de Chefe de Estado.
O Congresso aclamando-o como “regenerador da Pátria, mártir da civilização católica”, mandou gravar isto em seu túmulo e erigiu uma estátua dedicada à ele com a seguinte inscrição: ”À García Moreno, o mais nobre dos filhos do Equador, morto pela causa da Religião e da Pátria, a República reconhecida.” Também o Santo Padre Pio IX fez erigir no Colégio Pio-Latino uma estátua ao herói, onde se vê gravado: ”Ao guarda fiel da Religião, ao zeloso promotor dos estudos, ao dedicadíssimo servo da Santa Sé, ao justiceiro vingador do crime.” Leão XIII confirmou os elogios e foi presenteado pela viúva, Dona Mariana Del Alcazar y Ascasubi Moreno, com um quadro em tamanho natural de Gabriel García Moreno, segurando a constituição da Pátria.
          
Em idos de 1.980, ao exumarem o corpo do grande estadista, encontraram somente e só os seus ossos como era de esperar-se. Contudo, um volume esbranquiçado aparentemente de músculos chamou a atenção entre as costelas do cadáver. Era o coração do presidente. Ele que tanto amou o Sagrado Coração de Jesus! Ele que via o Coração vivo e palpitante na Hóstia Santa que recebia a cada Comunhão! Ele que visitava Jesus Sacramentado todas as tardes! Ele que conservou a chama da Fé acesa nos corações dos equatorianos, consagrando a República ao Sagrado Coração de Jesus, teve o seu próprio coração conservado incorrupto durante mais de um século.
           Ao ver este milagre, os responsáveis pela exumação, talvez por curiosidade, exumaram também o corpo do arcebispo de Quito e viram que estes dois corações que uniram-se para consagrar o Equador ao único Coração adorável também estavam unidos na incorrupção.
           Por certo tempo, exibiram o coração de Dom José Inácio na mesma capela onde está exposto o quadro do Sagrado Coração de que se serviram ele e o presidente santo para consagrar a pátria, mas, agora, até o coração do bispo está unido ao degredo de um vidro de formol, ao lado do coração de Garcia Moreno, proibidos de serem expostos, pela hierarquia eclesiástica.
           Também o Papa Paulo VI, quiçá por não suportar os ideais anti-liberais do santo, devolveu o quadro doado pela viúva à Leão XIII à igrejinha onde estão os restos mortais de Gabriel García Moreno.
           Ele foi cortado do mundo dos vivos pelo punhal traídor da Maçonaria, que muitos querem fazer-nos crer como associação idônea, mas o seu exemplo fica bem patente aos olhos da humanidade como que pedindo aos católicos que sigam a mesma senda de virtude, honra, saber, nobreza, patriotismo e Fé religiosa, do MAIOR ESTADISTA DO SÉCULO XIX!
 


DEUS NÃO MORRE


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Este resumo foi extraído do Livro "Garcia Moreno: Vítima da maçonaria", Francisco da Silva Prado, Coleção Religiosa.  nº 16, Federação das Congregações Marianas de São Paulo, 1933.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A POLÊMICA SOBRE A BEATIFICAÇÃO DA PRINCESA ISABEL E A LEI DE GERSON

Anos atrás o ex-jogador de futebol Gérson fez um comercial de TV de cigarros e, com um sorriso malandro, terminava com a seguinte frase: “O negócio é levar vantagem em tudo”. Pegou mal! Muitos brasileiros tomaram a consciência de um defeito nacional, como quem se olha em um espelho e reconhece algo de que se envergonha. O fato é que parece que Gérson virou motivo de piada, e mais tarde teria dito que se arrependia profundamente de ter feito aquele comercial de TV, pois foi a pior coisa que tinha feito na vida etc. A triste frase foi incorporada à nossa linguagem coloquial como sinônimo de "esperteza bem ao jeitinho brasileiro".
Bem, o que tem isso a haver com o processo de beatificação da Princesa Isabel? Aparentemente nada, mas se olharmos com mais atenção veremos que TUDO!
O governo brasileiro anda lançando um pacote com todo tipo de leis as mais paradoxais possíveis: liberação de maconha, proibição de cigarro (em locais públicos fechados), a mulher pode evitar a maternidade através do aborto, mas o homem não pode evitar a paternidade forçada devido ao DNA, sendo obrigado a sustentar filhos que jamais imaginou vir a ter, e outras leis das quais grupos religiosos reclamam. E por que? Por que vivemos em uma sociedade moderna, laica, secular, em que é SAGRADA A SEPARAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO. Ou seja, qualquer cidadão brasileiro não católico pode dizer: O que o Vaticano ditar como norma de conduta não tem valor para mim. Não sou católico e pronto! A liberdade de culto e a divisão entre igreja e Estado é garantida pela Constituição.
Por isso proliferam tantas igrejas cristãs das mais variadas denominações (dizem que nos EUA são mais de 23 mil), que não aceitam o Vaticano, e a Católica, que se mantém fiel ao Papa. O Papa Leão XIII deu em vida à Princesa Isabel a famosa “Rosa de Ouro”, comenda de altíssimo valor, dada à pessoa que fez algo que foi MOTIVO DE JÚBILO PARA A IGREJA CATÓLICA, sendo a Princesa Isabel a única personalidade brasileira a tê-la recebido. Foi doada por Dom Pedro Henrique, falecido pai da atual geração de príncipes da Família Imperial Brasileira à Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro.
 
Dona Maria da Baviera e a Rosa de Ouro

Mas isso...ora, isso já faz muito tempo! Sim, porque o nosso tempo também corre de modo especial e isso também já foi retratado em outro anúncio de TV: "Compre agora e pague em janeiro, porque até janeiro...dinheiro pinta!" Se alguns meses é um longo tempo "financeiramente" para os brasileiros, o que aconteceu 1888 é para nós uma eternidade. Enfim, o povo já havia esquecido a Rosa de Ouro dada pela Papa Leão XIII, mas a Princesa, nem tanto. Afinal ela foi eleita a maior mulher brasileira de todos os tempo em programa do SBT.

MAS AGORA... BEATIFICAÇÃO! ENTÃO OS BRASILEIROS TIVERAM UMA SANTA NO PODER E FIZERAM O QUE? EXILARAM A SANTA!! QUE COISA!

Talvez muitos os brasileiros voltem a se olhar no espelho, em dolorosa introspecção.
Eu, por exemplo, poderia especular que a beatificação da Princesa Isabel pode não interessar nem mesmo aos políticos da atual República, pois envergonharia o passado republicano, que, ao longo de inúmeras "quarteladas" nunca conseguiu criar grandes heróis, muito menos santos.
Hoje Tiradentes está sendo desmistificado até por anti-monarquistas. Mas precisavam tanto de um mártir para dar alguma moral ao golpe, que fizeram retratar Tiradentes com longos cabelos e barbas, um tanto semelhante a Jesus, quando em qualquer prisão, a primeira coisa que se fazia era raspar a cabeça e barba do preso, e assim ele ficava no presídio.
Senhores, perdoai-me digressão. Voltando à questão anterior: o mérito da beatificação da Princesa Isabel, pela Constituição, deve ficar rigorosamente a critério interno de cada um. Para os ateus ou não católicos, É OU DEVERIA SER, INDIFERENTE, POIS, AFINAL TEMOS LIBERDADE DE CULTO COM SEPARAÇÃO TOTAL ENTRE IGREJA E ESTADO.
SÓ QUE ISTO É UMA MÃO DE DUAS VIAS! OS AGNÓSTICOS, ATEUS, EVANGÉLICOS, PROTESTANTES, ADVENTISTAS, KARDECISTAS, UMBANDISTAS E JORNALISTAS NÃO TÊM NADA QUE SE METER COM AS DECISÕES INTERNAS DO VATICANO A RESPEITO DE BEATIFICAÇÕES. O VATICANO É E SEMPRE FOI SOBERANO, INCLUSIVE COM SUA PRÓPRIA GUARDA SUÍÇA. Hitler invadiu a maior parte da Europa, mas não invadiu o Vaticano, embora detestasse a religião cristã.
Se não admitem interferências da Igreja em suas vidas privadas, também não poderiam se sentir no direito de fazer sequer a mínima crítica pública a assuntos internos da Igreja Católica e do Vaticano. Mas fazem, inclusive para publicação em revistas, como no caso da ISTO É, incorporada abaixo.
Aí é que entra a Lei de Gérson: dois pesos e duas medidas, manipulando princípios, regras de conduta e leis, do jeito que me convém, contanto que no geral o resultado fique a meu favor.
Pela liberdade de culto e separação de Igreja e Estado, a Igreja Católica tem a liberdade de beatificar quem achar que merece, e a sociedade laica, secular ou outros grupos, religiosos ou não, historiadores, grupos de defesa dos direitos dos negros ou jornalistas, não têm nada que se meter ou polemizar publicamente o assunto. E quando o fazem, além de desrespeitar a Constituição, acabam falando bobagem, pela falta total de preparo teológico.
O PRIMEIRO SANTO CATÓLICO DO MUNDO FOI UM LADRÃO QUE SÓ SE ARREPENDEU NA HORA DA MORTE. Jesus Cristo, na cruz, santificou este ladrão em seus últimos momentos de vida: São Dimas, protetor dos pobres agonizantes, daqueles cuja conversão na última hora parece mais difícil. Entregam a São Dimas a proteção de casas e propriedades contra ladrões. Invocam-no nas causas difíceis, em negócios financeiros, para regeneração de bêbados, jogadores e ladrões. É protetor dos presos e das penitenciárias, dos carroceiros e condutores de veículos. A Igreja Católica celebra dia 25 de março como dia de São Dimas.
Será que muita gente sabe disso? Duvido muito. PREFEREM USAR A ESPERTA LEI DE GÉRSON, LEVAR VANTAGEM EM TUDO, NA MANEIRA COMO TECEM SUAS ARGUMENTAÇÕES, IGNORANDO QUE SEPARAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO É UMA VIA DE DUAS MÃOS: "A IGREJA NÃO PODE INTERFERIR EM MINHA VIDA PESSOAL, MAS EU POSSO ME IMISCUIR NOS ASSUNTOS INTERNOS DA IGREJA, INCLUSIVE CRITICAR PROCESSOS DE BEATIFICAÇÃO", sem estudar os antigos, longos e rigorosíssimos processos da Igreja Católica, que incluem ATÉ A FIGURA DO PROMOTOR DA FÉ, POPULARMENTE CONHECIDO COMO "ADVOGADO DO DIABO", CUJA FUNÇÃO É FAZER TUDO PARA "DERRUBAR" O PROCESSO, AO INVESTIGAR A FUNDO TUDO QUE HOUVER DE NEGATIVO NA VIDA DO CANDIDATO, AO LONGO DE TODA SUA VIDA. E se isto não é suficiente, existe ainda a conhecida frase a respeito de santidade:
“DEUS NÃO ESCOLHE OS CAPACITADOS, MAS CAPACITA OS ESCOLHIDOS”. Justamente por isso existem casos como o de Santa Madalena, e do advogado judeu Saulo de Tarso, cidadão romano, que não só perseguiu os primeiros cristãos, mas incitou em praça pública a morte por apedrejamento de Santo Estêvão (primeiro mártir cristão), e mais tarde se tornou São Paulo, pilar maior da Igreja Católica, cujas cartas até hoje são mais lidas nas missas diárias do que as de qualquer outro santo.

texto do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro.